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A Floresta


Lá estava eu, em meus tempos dourados da juventude, a passeio com Morfeu, um velho cavalo com cor equivalente a brasas mortas.

Seguindo pela Floresta Violeta, cujo nome dado pela curiosa iluminação da lua prateada, em sua fase cheia, que jogava raios de violeta e azul abaixo da copa das arvores.

 Floresta essa que tinha má fama de ser morada de uma bruxa, uma velha shaman, que amargurada pela morte de seu amado, se enforcou e voltou a nosso plano em forma de Banshee .

Em meio caminho pela infame floresta, Morfeu se assusta, e em seu pico de pavor, me derruba no chão. Não escutei nada a não ser o baque seco resultante de minha queda, e o relinchar violento do animal.

Silencio...

Silencio sepulcral, silencio esse que gelaria a alma até do mais audacioso dos heróis gregos, dos tempos antigos.

- Fique calmo Morfeu, não a o que temer em meio a esse templo mortificado que chamam de floresta.


Pensei no que acabava de falar, e senti que o lugar não era nem um pouco amistoso.

- Vamos, Morfeu, apressarmos o passo para que não fiquemos muito tempo nesse tumulo de bruxas e coisas oculta.  

- (barulho de cavalo)

Não muito tarde, quando já perto da alvorada, escutei o que parecia um choro, um choro de mulher.

- Vamos parar um pouco, Morfeu, esse lugar me da arrepios, mas de nada adianta forçar seu coração velho.

Morfeu, agradecido com o descanso, foi pastar, e eu, inquieto e pensante.

"pessoa ou demonio responsável pelo choro, que não venha me aportunar".

Algums minutos depois, o mesmo choro, só que dessa vez, mais parecido com um pedido de ajuda.

- Vamos embora, Morfeu, não passo nem mais um segundo nessa maldita floresta!


A toda velocidade possivel, Morfeu foi, e so parou quando um rio, que não estava planejado, muito menos no mapa se via no caminho.

- E agora o que seria isso? 

- (barulho de cavalo indignado) 
- Eu sei, eu sei, temos que dar um jeito de passar esse rio inoportuno.

Olhei em volta, e já com a madame Lua tomado o lugar do Sol, e so vi um mar de arvores violetas.

- Nem se quer uma viva-alma.
- (barulho de cavalo preocupado)
- É bom que essa historia de bruxa não passe de uma farsa, se não estamos em sérios problemas, meu amigo.
- (barulho de cavalo)


"Uma bruxa", isso explica o choro de mulher. dizem os moradores da vila, que a bruxa tinha virado um espirito da floresta.

- Morfeu, se vir alguma coisa, avise!
- (barulho de cavalo apreensivo)
- como assim que coisa?! qualquer coisa que não seja arvores e esse rio.


(Podem me chamar de louco, mas esse cavalo se comunica muito bem, e eu o entendo. Convivo com Morfeu desde os 15 anos e com o tempo eu aprendi a entende-lo).

Como magica, o rio não estava mais la, e em seu lugar, só avia uma estrada batida no meio das arvores.

- Veja só Morfeu, meus olhos estão me pregando uma peça.
- (barulhos de cavalo)


Era real. Hávia terra no lugar de agua, e terra firme.

- Vamos passar o resto da noite aqui, Morfeu
- (barulhos de cavalo indignado)
- Eu sei que esse não é o melhor lugar para um acampamento, mas a noite já se abre e os caminhos se tornarão negros como carvão.


Acampamento montado, resolvo dormir um pouco.

Acompanhado de um sonho, acordo subitamente.
Sonho esse, estranho e sublime. Uma mulher loira, com cabelos que batiam no chão, vestida em vestes brancas como a neve, dançava e cantava feliz, sozinha, perto da beira do rio.
Ela ainda não notou que estava sendo observada por mim.
Algo chama-lhe a atenção, algo distante, um grupo de homens, armados com tochas e forcados, gritando em fúria: "queimem a bruxa" "essa cortesã do diabo" "comedora de crianças".

 A bela jovem, assustada, começa a correr em minha direção.
Ao me ver, ela tropeça e cai, de joelhos, em minha frente. Seus olhos castanhos, como uma pinha recém caída, implorando por sua vida.
Agarro-a pelos braços e levanto-a.

- Vamos, corra por sua vida, jovem dama, não lhe farei mal algum, ao contrario daquele grupo de homens.
- Muito obrigado Sr., Mas eu suplico por sua ajuda, não chegarei tão longe, e preciso que você de uma mensagem para minha irmã, Morrigan!
- Te ajudarei então, jovem dama.
- Fale para ela "o corvo sobrevoa-ra aquele que traz a boa notícia, Que o raio deixe uma cicatriz na pedra em que ele se sentar. A morte veio buscar sua irmã, seu pai, e sua mãe. você é a única esperança de livramento do mal que está por vir, pegue os antigos tomos, e guarde em sua memoria, pois la esta o segredo do inominável, do antigo, do que vem e do que vai."
- Um pouco sem nexo, mas eu entregarei palavra por palavra. Mas me diga, quem envia tal profecia, e onde eu encontro Morrigan?
- Não a tempo, não a tempo!


O sonho acaba. 


Manhã clara, desmonto o acampamento.

- Vamos embora desse lugar maldito, Morfeu.
- (barulho de cavalo feliz)


 Partimos a todo galope e já quase no final da floresta, vi uma casa, maltradada pelo tempo.
Morfeu tem outro ataque de pânico, e eu, outro beijo na lama.

Denovo o choro, mas dessa vez próximo, como que atraz de mim!

Virei-me como um raio e vi, uma criatura humana, de tão admirável beleza, que ate o velho cavalo parou para olhar.

Ela estava chorando.

- Porque choras, senhorita?
- Eu perdi tudo, antes havia perdido tudo o que eu tinha, perdi tudo que tenho, e vou perder tudo que terei.


 Um pouco confuso com as palavras da mulher, tentei acalma-la.
Num impulso de medo e outra emoção, ela levantou seu rosto, molhado por lagrimas de sangue.
Não havia olhos em suas cavidades, mas a pele de seu rosto, ainda como se estivesse em sua flor da juventude, bela como o sol, seus lábios, vermelhos como a mais bela das rosas.

- E-eu creio que voce não esta bem, gostaria de ajuda?


(falei isso me tremendo de medo)

- A única ajuda que eu queria era as ultimas palavras de minha falecida irmã, a muito tempo atrás.
- Sua irmã, como se chamava?
- Isolda, antiga bruxa desta mesma floresta.


Fiquei pasmo ao ouvir tais palavras. Seria a bruxa do meu sonho?

- Lo-loira e-e com madeixas que batiam no chão, e olhos como pinhas novas?
- Como você sabe a aparência de minha falecida irmã?, e muito novo para saber!
- Ela apareceu num sonho.
- Então vá para aquela casa, e conte aos que la residem as mesmas palavras.


Olhei para onde a decrepita flor apontava com suas mãos.
A casa, antes destruída e abandonada, jazia como nova, e habitada, sua chaminé saindo fumo. Musicas alegres se cantavam dentro da alegre residente.

Bati a porta e olhei para traz, Morfeu estava lá, na mesma distancia que tinha me encontrado com a falecida.

- Vamos, Morfeu, larga de ser medroso e venha cá!
- (barulhos de cavalo medroso)
- Se não vier aqui eu te abandono nesta floresta, e terá de lidar com os espíritos da mesma!


Morfeu, depois de relutar, se aproximava cautelosamente.
Sem resposta na porta, e a cantaria mais ta ainda, resolvi abri-la.
E me deparo com a seguinte cena: Tres mulheres, aparentando 20 anos ou um pouco mais, nuas, fazendo as tarefas de casa, cozinhando e preparando alguma coisa bum caldeirão.

A canção sessa.

- Quem ousa interferir em nossa alegre musica?
- Um homem, e um cavalo medroso.
- Vem em busca de respostas a duvidas, e a permissão para sair de nossa floresta!


Uma delas se virou e me encarou, ela tinha os olhos vendados, com gotas de sangue vazando, parecida com o espirito que falei.

- Vejam só, se não é o menino que voce citou em um sonho, Isolda!

Isolda se virou, com seus olhos castanhos cor de pinha, e uma coroa de espinhos, rosas e cravos.

- Vejo que manteve sua palavra, meu senhor. eu não lhe falei, Abigail, que ele era um homem bom!


Abigail, aparentava ser a mais jovem, com cabelos ruivos, e apenas um olho vendado, tinha um dos braços amputados, e em seu rosto, buracos em ambas bochechas , no qual passava uma rosa.

- Não me pareçe tão mal, pensei ser mais velho.
- Chega disso!


Morrigan interrompeu, parecia impaciente.

- Me diga a profecia que minha irmã lhe falou em seu sonho.

Ainda me recuperando da recente descoberta de que magia existe, disse nervoso.

- Antes me diga como um rio desapareceu, e como essa casa de velha, passou para um estado novo!
- Isso pode ser esclarecido na hora do chá.


Disse Abigail, que estava no caldeirão.

- Deve estar com fome, sua jornada foi longa. Vamos, sente-se e conte-nos.


Um pouco desconfiado, aceitei o convite e me sentei.

- Seus pais, e irmãs estão mortos, pegue os tomos antigos e memorize, algo sobre um inominável que vai e volta, e que um corvo sobrevoaria alguem e que um raio atingiria uma pedra.

As irmãs se entreolharam, e depois fixaram em mim.

- Não vejo nenhum corvo ou pedra marcada.
- Eu vejo um home de palavra.
- Eu vejo alguem que se preocupa com os outros, ate com os mortos.
- Me diga, senhor, oque te fez dar meia volta e vir ver essa humilde casa?


Estavam me deixando mais confuso ainda, tentando reorganizar os pensamentos, falei.

- Morfeu, meu cavalo, se assustou, e acabei me ferindo, como essa era a única casa que vi por perto, resolvi dar uma passada, ate que me deparei com Morrigan.
Senti uma dor no joelho, tinha quebrado alguma coisa, pois Morfeu tinha pisado em cima de minha perna no susto, e nem mesmo notei.

- Seu homem esta ferido, Morrigan, ajude ele!
- E melhor esperar e ver oque ele fala.
- Eu vou ajuda-lo assim que me contar a verdade!, quem matou Isolda?

Surpreso com a pergunta, pasmei no mesmo instante.

- Me desculpe, senhorita, mas o sonho acabou com sua irmã falando apenas que "não havia tempo".
 

As tres se entreolharam.

- Precisamos dos tomos!
- Precisamos de uma pitada de sal!
- Precisamos de uma xicará de chá!
- É melhor misturar na agua, vai ficar com um gosto muito forte.
- Concentre-se, irmãs, o deus que todos presentes nessa sala adoram, mandou um aviso!
- Amém.


Já impaciente com tamanha falta de nexo, falei em voz alta.

- Chega dessa baboseira, eu só quero sair dessa maldita floresta, pouco importa se o mundo vai acabar!!

As tres fixaram o olhar em mim, e cochicharam algo.

- O senhor tem razão, Isolda, vá pegar os tomos, Abigail, coloque algumas toalhas para ferver em agua.

Morrigan se aproximara de mim como se fosse alguem achegado, e falou suavemente, como em um sussuro.

- Não acredite em nada, apenas na mentira e a verdade que vem logo depois .
- Oque?


Acordei, estava deitado no chão da casa, maltratada pelo tempo, Morfeu fazia uma barulheira lá fora.
Olhei em volta e vi, um esqueleto, velho, com uma venda ensanguentada nos olhos.

"mas oque que esta acontecendo comigo"


Sai e fui em direção a Morfeu, e senti a dor em meu joelho, fui ao chão.
Me arrastei ate o cavalo, e pus toda a força nos braços para subir na cela.

- Vamos embora definitivamente, Morfeu, pra nunca mais voltar!
- (barulho de cavalo alegre)


E sai, cavalgando num ritmo lento, calmo, e escutei em vez de choro, uma canção pelos galhos, uma suave brisa carregada de folhas e uma onda de alegria.
Mas como esquecer, a profecia, que a falecida bruxa Isolda tinha falado, o chá de Abigail, e o enigma de Morrigan?.
 

Pode ser só uma historia sem sentido, contada por um louco, e seu cavalo, cor de cinza apagada, mas não é mentira, muito menos verdade, é apenas meu relato, sobre a minha viagem rumo ao fim do mundo, e a volta dele.

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