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O Poço



 La estava eu, em meus tempos dourados da juventude, em frente ao velho casarão da família Weller, em companhia de Ruth, minha irmã, e Mary, minha pretendente, tomando chá com biscoitos.

- Os coelhos e lebres do jardim dos Weller devem estar dormindo.

Disse Ruth.

- Eles estão só comendo, as 17:30 e a hora do almoço dos roedores.

Eu respondi, e Mary reforçou a mentira.

- E os coelhos não gostam de ser interrompidos nessa hora, eles ficam bravíssimos!


Ruth ficou triste, pois amava os bichos do jardim dos Weller, e nessa tarde não tinha visto nenhum.

- Robert, querido, você tem ouvido as novas sobre Lady Weller?

- Não, só de que estavam vendendo a velha casa.
- Ela esta com a saúde debilitada, um tipo raro de tuberculose.
- Que pena, uma mulher tão boa!
- Oque é tuberculose?

Perguntou Ruth, inocentemente.

Pensei em minhas palavras para não chocar minha irmã, que tinha 6 anos e uma mente inocentíssima.

- É uma doença, irmãzinha, uma tosse bem forte.
- E essa tosse faz a pessoa dormir?

Antes de eu responder, Mary interrompe.

- Veja só, Ruth, um coelho branco naquela direção!
- Vamos lá pega-lo!

Olhei Mary e agradeci por um tempo longe de minha irmã.

- Vá la, duas moças do meu coração, tragam aquele coelho. Vou ver como esta o casal.

Batendo na porta dos Weller, um mordomo, de nome George, velho amigo de minha família e dos vizinhos, Weller.

- Como vai Robert, e sua mãe?
- Estamos ambos bem, George, a quanto tempo.

Fazia alguns anos que já não fazia uma visita a os Weller.

- Veio para ver a família?
- Sim, eu fiquei pasmado em ouvir o estado de Lady Weller.
- A coitada já nem consegue levantar de sua cama, por favor entre.
- Com licença.

A casa, ainda como me lembrava, ricamente decorada e limpa, estava mais obscura, menos colorida e sem vida.

- Essa doença deve ter abalado a família bastante, George.
- Oque te faz pensar isso, Senhor?

Olhei para o lugar que vinha a pergunta, e reconheci Duque Weller.

- Como vai senhor Weller? Ainda lembra de mim, Robert, filho de Lady Nightingale?

O velho me olhou dos pés a cabeça, e um leve sorriso se abriu.

- Ora, ora, como você cresceu, Robert!

Chegou mais perto.

- E como cresceu, eu lembro de você quando não passava de minha cintura!

Apertou calorosamente minha mão.

- Eu fiz essa visita para ver como vocês dois estavam, eu ouvi o estado de Lady Weller e me preocupei.
- Nem tão bem, meu jovem, nem tão bem. Essa doença nos atingiu como uma flecha!

O velho parecia cansado.

- E oque o medico falou? se não é perguntar demais.
- Ele disse que já está em estado avançado, e que ela só tem mais um mês de vida.
- Puxa, que triste, logo lady Weller.
- Eu preferia que tivesse sido eu a ficar doente, ela não merece isso!

O homem estava um caco.

- Eu posso falar com ela? pode se sentir um pouco melhor.
- Sim, claro, eu te levo ate o quarto.

O quarto, não muito diferente do resto da casa, estava com as janelas fechadas e mal entrava luz, havia uma cama grande, e do lado um candelabro de 3 velas já na metade.

Lady Weller estava deitada, num sono leve.

- Amélia, Amélia, acorde, não vai acreditar em quem veio lhe visitar!

A pobre mulher respirava com dificuldade, e abriu seus olhos azuis, que já viram muitíssimas coisas.

- Olá, lady Weller, sou Robert Nightingale,
- O fi-(tosse)lho de Jezabel?

A tosse era violenta.

- Sim, já faz muito tempo que eu não faço uma visita.
- Faz (tosse) muito tem(tosse).
- Descanse um pouco, Amelia.

Estávamos saindo do quarto,quando Amélia nos chamou a atenção com um grito.

- O poço!, o poço!, a agua maldita se escorre pela pedra gasta, o peixe que jaz parado em cima, o muro arranhado por um ser antigo.
- Amélia, oque voce esta dizendo!?
- Olhai, olhai o poço, pequeno pássaro, antes que quebram a sua asa!

A mulher estava delirando, pedi a George para que chamasse o medico, mas já não havia tempo.

Lady Weller morreu de um ataque epilético, seguido de sangue sendo vomitado pelo corpo tremendo da recente falecida.
Dois dias se passaram até que duque Weller morrera de amargura, como não tinha filhos, a herança foi partida entre os mais chegados a familia, que incluía os Nightingale, Por um pouco não fiquei com o velho casarão.

A casa, que parecia mais morta e obscura, me chamava a atenção toda vez que passava pela estrada com meu cavalo, Morfeu. Ele ficava apreensivo só de passar perto da casa.

Na véspera da pascoa, minha familia deu uma grande festa a todos os montes da região. Mary, como sempre estava presente.

- Horrivel oque aconteçeu com os Weller, que deus os tenha.
- Sim, e pensar que fui uma das ultimas pessoas que eles viram!
- Você passou os últimos dias do casal no casarão, deve ter sido horrivel ver um homem como o duque entrar em estado de profunda depressão.
- Eu tentei ajuda-lo, mas ele acabou morrendo por causas desconhecidas.

Ruth se aproxima, segura do uma porção de flores.

- Quer me ajudar a fazer uma guirlanda, Robert?
- É claro, Ruth, vamos fazer uma especial para enfeitar Mary!

Mary sorriu com vergonha.

- Quais foram as ultimas palavras de senhor e senhora Weller?
- Lady Weller começou a delirar e falou sobre o poço do casarão, e o duque tinha entrado em voto de silencio.
- Os meninos dos Carlyle estão falando que o casarão é assombrado, e que naquele poço morreu os filhos recém nascidos dos Weller.

Disse Ruth, indiferente.

Eu e Mary nos entreolhamos, Mary já sabia o que eu estava prestes a fazer.

- Os filhos de Sir Carlyle lhe disseram?
- Sim, e outras crianças espalharam a historia.
- Obrigado Ruth, e aqui esta a guirlanda mais perfeita de todas.

Ruth foi ate Mary e colocou a coroa de flores em sua cabeça.

Inesquecível, as rosas, menos vermelhas que seus labios, as tulipas, com cor menos intensa que seu vestido. Um espinho furou a testa de Mary, e uma única gota de sangue escorreu pelo seu rosto de porcelana.

 Chegado noite, eu e Mary nos arrumávamos para uma pequena aventura pelo mal-falado casarão.

- Vamos sair depressa, e com o mínimo de barulho possivel.
- Vamos!

Ao abrir a porta do quarto lá estava Ruth, em seus trajes de dormir.

- Oque faz acordada tão tarde, Ruth?

Perguntou Mary.

- Eu tive um pesadelo.

Mary e eu nos estreolhamos.

- Tinha vocês dois, eu e o coelho branco que pegamos outro dia.
- Nos conte mais.

Nos sentamos em minha cama.

- No sonho, vocês dois iam na casa dos Weller, e brigavam com algo que não dava pra ver, e então foram descer o poço, e la estava os animais do jardim, dormindo no fundo do poço, e o único acordado era o coelho branco.
- E onde você estava, Ruth?
- Eu estava dormindo presa numa parede úmida e iluminada por velas.

Mary e eu nos entreolhamos de novo.

- Vocês não vão na casa dos Weller, vão?

Nos entreolhamos novamente, por mais nova que minha irmã fosse, era bem esperta

- Não podem ir, ela é assombrada!
- Não temos medo de assombrações, Ruth, nós so vamos checar se esta tudo bem com o mordomo, George, e as empregadas.
- Então me levem junto, não consigo dormir!
- Mas já e muito tarde.

Ruth ia começar a chorar.

- Tudo bem, nós levamos, mas prometa que não vai contar a ninguém, nem mesmo a sua boneca!
-Prometo.

Chegando lá, havia duas janelas acesas, uma da cozinha, e a do estabulo.

-É melhor avisarmos o sr. George, pra ele não ficar bravo depois.
- O sr. George esta dormindo, não vamos atrapalhar seu sono.
- Eu vou ao estabulo pegar corda, se escondam bem.

Fui ao estabulo pegar uma corda, e pra minha surpresa, George estava lá.

- Oh, Robert, me deu um baita susto!
- Desculpe George, não fui minha intenção.
- E oque faz aqui essa hora da noite?

O tom de voz dele parecia nervoso e desconfiado.

- Eu queria ver se estava tudo bem, eu estava passando e vi as janelas acesas.
- Ah, sim, as cozinheiras estão pondo a mesa, e eu estava arrumando a bagunça do estábulo.
- Com uma faca?

 Ele notou o erro e tratou de esconder.

- Sim, eu estava cortando, essa corda!

Mentira.

- Hm, se importa de eu ficar mais um pouco?
- Pra ser sincero, eu me importo, quanto antes eu terminar isso, melhor.
- Ah, claro, não quis atrapalha.

Ele pareceu incomodado.

- Me diga, George, onde fica o poço, eu gostaria de dar um pouco de agua fresca para Morfeu.
- Fica atraz do casarão.
- Obrigado, não vou mais tomar de seu tempo.

Sai depressa, e fui ao encontro das duas moças.

- Onde esta a corda?
- O velho George estava la. Céus, ele estava nervoso e com uma faca nas mãos!
- Tem algo errado, Ruth e Eu fomos olhar pelas janelas e a casa esta vazia.
- Ele deve estar tramando algo!

Disse Ruth,
Essa menina so pode ser uma Nightingale para ter respostas assim.

- E agora, oque vamos fazer?
- Vamos entrar na casa pelos fundos, e procuramos no quarto do duque e da duquesa.

Ao chegarmos no fundo da casa, um cachorro grande e raivoso veio em nossa direção, atingi ele com um pontapé, enquanto Mary levava Ruth para dentro da casa.

- Robert, veja só!
- Oque é, Mary?
- Uma trilha de sangue, como se algo tivesse arrastado um corpo, ou varios.
- Alguem se cortou, devemos procurar ajuda.

Disse Ruth, inalterada.

- Nós vamos.
- Veja Robert, a trilha acaba naquela porta.

Nos aproximamos cautelosamente, o cheiro horrivel de carne em decomposição.

- (nojo) essa porta leva ao porão da casa, vamos deixar para depois.
- E pra onde vamos?
- Vamos subir, mas antes pegue algo para se defender.

Fui para perto da lareira e peguei um atiçador de brazas, Mary pegou um candelabro pesado.

- Eu também ganho uma arma?
- Não vai precisar, Ruth.

Subimos as escadas para o segundo andar, ainda mais escuro. Mary acendeu as velas de seu candelabro usando um fosforo.

No quarto, estava tudo normal, parecia que não haviam movido um milímetro desde a morte dos Weller, mas algo estava errado, podia sentir que algo faltava ali.

- Esfriou derrepente.

Disse Ruth,
Mary e eu nos olhamos.

- Tem algo seriamente errado nessa casa, Robert!
- Vamos verificar o quarto, depois procuramos os outros Comodos.

Depois de algums minutos, numa falha investigação, Notei que Ruth estava olhando para debaixo da cama.

- Oque você achou, Ruth?
- Um caixote, debaixo da cama.

Olhei em baixo da cama, e vi, um caixote, trancado com um cadeado.

- Tem o brasão da familia Weller, e uma grande letra A na tampa, deve ser de Lady Amelia.

Mais algums minutos se passaram, nenhuma chave.

- E melhor levar esse bau para casa, creio que ninguém vai sentir falta de um bau velho e empoeirada.
- Espere, estou escutando passos na escada!

Passadas pesadas vinham da escada, cochichei para Mary.

- Feche a porta e apague as velas, alguem deve ter nos descoberto.

Os passos viam mais de perto, esperei ao lado da porta, com o atiçador em mãos.
Uma luz foi acesa, e depois apagada, os passos deviam a escada

- Tudo bem, acho que ele já foi.
- Vamos logo sair daqui!


A meio caminho entre o quarto e a escada, Ruth gritou.

- Oque foi, Ruth?
- Eu vi algo passando no final do corredor.
- Boa hora para os fantasmas apareçerem.


Um ar frio bateu na minha nuca, me virei rapido e vi que a janela estava escancarada.

- Não me lembro dessa janela estar aber-
- Cuidado!!


Um machado passou zunindo pela minha garganta, estava escuro, então não consegui ver o rosto do mal feitor. Mary tentou agarrar o braço do homem, mas ele foi mais rapido e a empurrou em direção da escada.

- Mary!

Ruth gritou.

Bati com a ponta do atiçador na mão do homem, que gemeu de dor, e depois tentou um soco. Eu não esperava tal feito, então foi certeiro no meu maxilar, fui ao chão. O homem deu um tapa em Ruth, que desmaiou devido a força, e Mary, também desacordada, o desgraçado me chutou na cabeça e apaguei.

Acordei em algum lugar escuro, com cheiro de carne podre, e estava com mãos e pés amarrados.

- O porão!. Mary!! Ruth!!


Silencio.

- Droga!!

Esperei algums minutos para meus olhos se acostumarem com a escuridão do local, não vi nada além de vultos e formas. Algumas formas lembravam pessoas.

- Mas oque que esta acontecendo nessa casa!
- Robert! 

- Mary! Onde você está?
- Perto de uma escada, onde está Ruth?


Ruth!, onde sera que ela está

- Consegue vir aqui, eu estou amarrada!
- Vou tentar!


Me arrastei ate Mary.

- Aconteçe, meu amor, que eu também estou amarrado.


Falei sarcasticamente.

- Venha aqui, vou tentar desatar duas mãos.


Era um nó simples, porem bem apertado.

- Agora me desamarre também.
- Pronto, agora vamos por um fim nisso, precisamos achar Ruth e o bau.

O alçapão estava trancado.

- Droga!
- Tem uma luz ali, atraz de algums caixotes.


Tirei algumas caixas, e vi, uma janela pequena

- Não vou conseguir passar por essa janela!
- Eu acho que consigo.





Continua na parte 2

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